Segundo eles, a primeira característica que um novo empresário deve ter é a inquietação com a rotina. “Nenhum empreendedor vai mudar o mundo, mas é isto que todos eles querem”, diz o brasileiro Reinaldo Normand, fundador da produtora de games Zeebo. Para ele, a “insatisfação” sobre as coisas que estão ao seu redor, leva o empreendedor a buscar novas ideias sempre.
Transformar as ideias simples em grandes produtos com inovação constante é outra habilidade do empreendedor de sucesso. Na opinião de Reinaldo Normand, as melhores ideias da atualidade vieram de um projeto inicial simples. “Talvez pouca gente se lembre do Apple I, mas foi o que tornou os produtos da Apple o que são hoje”, diz.
Os empreendedores concordam que as ideias podem e devem ser aperfeiçoadas mesmo após seu lançamento no mercado, mas eles defendem também que é importante tentar prever a aceitação de seu projeto pelo público-alvo. “É muito importante estudar o mercado que você quer atuar, fazer sua própria pesquisa e tentar descobrir antecipadamente do que as pessoas poderiam gostar”, diz Aber Whitcomb, fundador da rede social MySpace.
Jawed Karim, do YouTube, concorda, e dá outra ideia para os novos empresários. Segundo ele, uma boa maneira de tentar antecipar a aceitação de um produto, é olhar para ele com os olhos de um consumidor. “Você deve se perguntar: isto serviria para mim?”, diz ele, que afirma fazer uploads de vídeos com frequência no site e brinca: “devo ser um dos usuários mais ativos”.
Empreender no Brasil
Segundo os empreendedores do Vale do Silício, empreender no Brasil traz alguns desafios. A alta carga tributária e a burocracia para abrir uma empresa são fatores apontados como os maiores “impeditivos”. Para Ashwin Navin, um dos fundadores do BitTorrent, os impostos freiam a inovação em muitos setores, como o da tecnologia. “Não importa a classe social, hoje em dia todos precisam de um computador e isto tem que ser percebido pelo governo”, diz Navin, que acredita que a acessibilidade daria mais vazão à inovação.
Mas além das questões governamentais, outras atitudes podem ser tomadas pela própria comunidade para melhorar o cenário do empreendedorismo no Brasil. Dividir experiências, sejam elas boas ou ruins, ajuda a incentivar a inovação. “Temos que aprender a compartilhar informações e valorizar novas ideias”, diz Reinaldo Normand, da Zeebo. Ashwin Navin concorda e afirma que isto é algo que acontece com frequência no Vale do Silício. “Afinal, não pode existir monopólio sobre as boas ideias”, diz.
Todos eles são unânimes num ponto: há muito espaço para boas e novas ideias no país, especialmente na área tecnológica. Eles afirmam que, durante sua passagem ao Brasil, têm visitado empresas e visto bons trabalhos dos brasileiros. “Estou vendo o Brasil como era o Vale do Silício nos anos 90. Não havia muita estrutura, mas existia muita vontade”, diz Navin.
