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Assunto:

Guerreiro Produtor




Recentemente, perambulando pelas bandas da Internet, encontro o seguinte comentário publicado em uma rede social. 

"Maldito Aldo Rebelo, maldito PC do B, lacaios de Kátia Abreu e dos ruralistas, latifundiários, fazendeiros, madeireiros, grileiros, agronegócio, todos criminosos, perseguidores, torturadores e assassinos de índios e sem terra, escravocratas e predadores da biodiversidade."

Não entrando no mérito partidário e atendo-se apenas em relação a parte agrícola em si, fiquei me perguntando o que leva um cidadão a pensar isso? 

No Facebook, onde eu encontrei este comentário e onde também a gente não perde a oportunidade de criticar de forma bem humorada assuntos sérios relativos a inúmeros temas, publiquei o seguinte comentário em resposta:

O que eu faço com uma pessoa que tem o seguinte comentário publicado???

A) Mando ele levantar 3 horas da manha para tirar leite de uma vaca para poder tomar café as 6 horas.
B) Mando ele tirar a bunda gorda da cadeira, sair de frente do computador, pegar o seu carro que esta na garagem do prédio onde fica seu apartamento no centro da cidade e ir capinar um pasto por 10 minutos
C) Pedir ele para tirar 20% do seu salário e doar para uma ONG de proteção do meio ambiente, afinal quem mora no campo tem tirar pelo menos 20% da sua propriedade para Reserva Legal.
D) Coloco ele no sol, afinal ela deve fazer fotossíntese.
E) Ignoro, pois ela não sabe o que fala. Embora alguns fatos sejam reais, eles são exceções e não devem ser tomados como regra. 
Brincadeiras à parte, o assunto é bastante sério e reflete o estereótipo errado de produtores rurais que algumas pessoas tem. Pensando nisso, resolvi escrever este post e mostrar alguns fatos que precisam vir à tona para esclarecimento de alguns.

Para começar, não vamos ser ingênuos e pensar que produtores rurais não desmatam, poluem cursos d’água e exploram mão-de-obra. Sim, isso acontece e é algo condenável. O que não se fala é que estes produtores são exceção à regra. Aliás, o desmatamento, por exemplo, eles aprenderam justamente por meio de incentivos que eles tinham no passado em explorar novas áreas, incentivos que vinham do próprio governo (o Pró -Várzea  é um bom exemplo disso), existiam ainda, cartilhas de como usar correntões.

O pensamento mudou e hoje temos novas tecnologias que aumentam a produção sem precisar aumentar a área plantada, são elas: fertilizantes de alto desempenho, produtos fitossanitários, organismos geneticamente modificados, enfim, uma gama de tecnologias que são também condenadas por gente que mal entende do assunto (pessoas que vivem no perímetro urbano e alguns ambientalistas radicais). Aí fica a pergunta: como aumentar a produção sem aumentar a área de produção ou usar tecnologias para isso?

No meio deste impasse está o guerreiro produtor rural, principalmente o pequeno, que amarrado por leis e pressão de gente que entende pouco do seu cotidiano, o condena como um criminoso responsável pelo fim do mundo.

Um grande erro é achar que todo produtor rural e pecuarista é um grande latifundiário detentor de milhares de hectares de terra. O pequeno produtor, o familiar, o verdadeiro guerreiro, é responsável por 70% do alimento que você come (e lembre-se o pão vem do trigo e o leite da vaca) e o que você veste (o algodão do seu terno vem do algodoeiro e a seda do seu vestido vem do bicho da seda), mesmo detendo 24% da área rural brasileira. Hoje no Brasil somam-se mais de 4 milhões de pequenas propriedades (até 500 hectares) que contribui com mais 9% do PIB (mais de R$174 Bilhões).
O produtor rural merece mais respeito em consideração à luta diária para alimentar e vestir quem o critica. Levantar as 3 horas da manhã para ordenhar a vaca, pulverizar a lavoura para garantir que você tenha comida em quantidade e qualidade na mesa ( e isso muitas vezes prejudica a saúde deles, pois não sabem como usar o produto fitossanitário de forma correta).
 Além disso, eles precisam que reservar, pelo menos, 20% da propriedade para Reserva Legal (sem contar as Áreas de Preservação Permanente) para que você tenha um ar mais puro e um clima mais ameno (Aí eu pergunto, porque esta lei só vale para zonas rurais?).
Se entrarmos no mérito econômico, poderíamos considera-los ídolos brasileiros, pois apesar de trabalhar duro para encher a sua barriga, ele é o elo mais fraco da cadeia produtiva e ganha uma mixaria pelo nobre trabalho que realiza. 
As postagens publicadas neste blog refletem a opinião pessoal de cada autor e não compartilha, necessariamente, a mesma visão de todos os autores do blog.
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